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Poeta Santiago

 

                PEIXINHOS CAINDO DO CÉU

 

 

Há muito tempo ouço falar no milagre dos pães e dos peixes. É uma passagem muito bonita da Bíblia.  Atualmente tornei-me um leitor do livro dos livros. Mas ainda sinto uma imensa dificuldade para entender e aprofundar nas entrelinhas desse encanto.  Tudo nele causa-me espanto e ao mesmo tempo admiração.  O Cântico dos Cânticos do Rei Salomão parece ser a essência da mais pura poesia. Da mesma forma encantei-me com a multiplicação dos pães e dos peixes.

Na verdade não quero relatar aqui nenhum milagre. Nunca vi nada de extraordinário e nem presenciei nada. Quero falar de um fenômeno muito simples. Para muitos é motivo de risos, deboches e constrangimento. Sempre que somos taxados de mentirosos ficamos desconsertados. Resolvi descrever este fato que parece mentira e nem tenho como provar. A não ser através de algum biólogo altamente aplicado ou alguém que teve o privilégio de nascer na zona da mata como eu. Enquanto não provar o que vou narrar aqui, serei considerado mentiroso.

Quando menino, percebi que caiam peixes nas chuvas de verão. Parece a coisa mais absurda do mundo, mas é real.  Peixes minúsculos, eu mesmo custei acreditar na veracidade daquilo. Eram peixes tão pequenos que pareciam simbólicos. Caíam vivos na terra ou no capinzal e desciam nas enxurradas e correntezas para os córregos e rios; quando não serviam de alimento para os pássaros, é claro!  Eram na maioria das vezes lambarís e piabinhas.  Fiquei por muito tempo tentando encontrar a origem desse fato e não achei sentido. Perguntei para alguns estudiosos e o que fizeram foi rir de mim.  O dramaturgo Carlos Alberto Soffredini, numa reunião de amigos, depois da revelação desse fato criou uma piada a meu respeito: - disse que em minha terra os guarda-chuvas têm a boca virada para cima. Algumas pessoas perguntaram: - Por quê Soffredini? - Para pegar os peixes que caem do céu! A sala quase se explodiu de gargalhadas e até hoje não pude provar pra ele e acho que nem poderei, pois ele já não se encontra mais entre nós, pelo menos fisicamente!

Só agora que tomei coragem de relatar por escrito esse acontecimento da natureza. As pessoas me acham lunático e dando essa informação é a confirmação de minha loucura. Juro por essa luz que isso é verdade e não é nenhum milagre. Os peixinhos caiam com mais ou menos dois centímetros. Para uma criança do interior parecia mesmo uma mensagem Divina. Nunca tinha visto televisão, cinema e nem sabia nada de ciência ou biologia. Arrisquei narrar isso para outros amigos da classe artística e para eles tornei-me um pescador,  contador de histórias fantásticas. Sou o mentiroso da turma.

Se os córregos, açudes e rios da região em que nasci permanecem com as águas transparentes, tenho certeza que isso ainda deve ocorrer por lá.  Comentei sobre o milagre dos pães e dos peixes nesse texto por se tratar de um fato que também parece absurdo. Imagina só, alimentar cinco mil pessoas, com apenas cinco pães e cinco peixes!  Quem sou eu para duvidar dos feitos de Jesus Cristo? Nessa história bíblica ele se revelou o primeiro socialista do universo.

Para quem ainda não sabe, nasci em Nova Belém, cidade próxima de Mantena, Minas Gerais. Esse lugar é cercado por montanhas verdes e pedreiras encantadoras. É traçado por córregos e rios por todos os lados. De cima dos montes eu os via refletindo o céu azulado e bonito.

Foi lá em Nova Belém que encontrei a mãe do ouro. Ela não gostou de me ver, por isso não me ofereceu nada. Subiu para o céu e se perdeu no infinito entre as estrelas, como todas as vezes que a encontrei.

Corria um boato entre as crianças daquela região que quem tivesse o privilégio de encontrar a mãe do ouro e conseguisse desencantá-la ficaria muito rico e nunca mais empobrecia. Infelizmente não tive a oportunidade de quebrar o encanto daquela magia, mas nunca perdi a esperança.

Agora sei que isso é só uma lenda, mas me recuso a deixar de lado essa ingenuidade de criança do interior de Minas. Portanto, ainda sonho encontrar esta bendita mãe do ouro e desencantá-la, desvendar esse mistério, que de certo não morrerá comigo.

Quero aclarar que lenda é referente à mãe do ouro, quanto aos peixinhos, é realidade. Esse fenômeno da natureza deve ocorrer em diversos lugares desse vasto País, chamado Brasil. Acho que isso não é um privilégio só meu. Qualquer pessoa poderá constatar a veracidade desse fato. Provavelmente isso não ocorra nas grandes metrópoles, grandes cidades, lugares onde os lendários rios e córregos se tornaram esgotos a céu aberto.  

 

 

                                       Santiago Dias

(Texto do livro: O Plantador de Manhãs)

santiagodias13@yahoo.com.br

 


 

ODE AOS PÉS

 

 

            O pé direito é diferente do esquerdo. Ele parece se movimentar mais rápido, mas o esquerdo está sempre presente. Os dois vão à luta levando corpo que se equilibra em cima deles.

        Pés para dançar, vencer e até mesmo fugir do perigo. Pés para dar liberdade, pois sem os tais as pernas não seriam nada.

        Pés para roçar o corpo da pessoa amada. Acariciá-la no aconchego da manhã. Pés que amassam as uvas para o preparo do vinho.

        Pés descalços entrando e saindo das Minas de ouro enriquecendo o país. Pés calejados, sofridos e pisados por outros pés. Pés correndo nas florestas buscando o existir. Pés nos campos de futebol resgatando a alegria.  Pés dos garimpeiros, machucados, feridos, buscando a esperança de um dia melhor. Pés pisando nos gramados e que balançam as redes, fazendo vibrar de emoção milhares de corações patriotas. Pés nas avenidas dançando samba. Pés dançando baião e xaxado. Pés dos congadeiros dançando alegres nos caminhos e nas ruas lembrando nossos ancestrais. Pés bem cuidados, de unhas pintadas e bem feitas. Pés da bailarina que se equilibra; magia que está na ponta dos dedos. Pés fincados no chão ou tombados por um trecho de terra.

        O esquerdo está sempre ao lado do direito. Estão se harmonizando para a festa de outros pés. Pés chatos, bruscos. Pés ásperos. Pés que continuam levando sua bagagem para o futuro.

        Pés massacrados. Pés embrutecidos, cruzando rios, pinguelas e pontes. Pés subindo e descendo morros. Pés que amassam o barro para fazer barracos de pau a pique. Pés delicados se unindo aos rústicos. Pés para lutar capoeira... e fugir da injustiça.

 

                                

Santiago Dias

(Trecho do livro: O Plantador de Manhãs, do autor)

E-mail: santiagodias13@yayhoo.com.br

 

Leia outros textos desse poeta no site: www.letras.ufmg.br/literafro

 


 

SANTIAGO DIAS

Dados Biográficos

 

SANTIAGO DIAS é natural de Nova Belém, Minas Gerais. Foi registrado na Barra do São Francisco, E.S. Escreve desde os doze anos de idade. Aos dez mudou-se com a família para Belo Horizonte.

Estreou como poeta em 1982 com uma coletânea de poesias chamada ROSAS E VIDAS. Em 84 publicou CAMINHO, com 60 poesias. Em 87 lançou o livro ESTRADAR, poesias curtas, com temas simples. Essa coletânea foi vendida para todas as bibliotecas do município de São Paulo, capital. Com esses livros ele vendeu mais de 25 mil  exemplares no eixo, São Paulo, Minas Gerais, Vitória do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Em 85 publicou SAGRADA PRIMAVERA em português e espanhol.

Ainda em 87 fez uma apresentação num espetáculo no teatro Caetano de Campos, com Tom Zé, Tarancón, Ráices de América e outros.

Enquanto estava elaborando uma coletânea de poesias e crônicas, desenvolveu um trabalho artesanal em camisetas. Onde divulgou suas poesias ilustradas, usando as técnicas de serigrafia e aerografia. Esse trabalho era exposto na Feira de Arte e artesanato da Praça da República de São Paulo.

Em 94, lançou CANTO A UMA MANHÃ SEM DOR, mostrando suas primeiras crônicas.

Integrou-se ao grupo COBRAS DE CIPÓ de 86 à 89 interpretando poesias em teatros, bares,  e casas de cultura de São Paulo. Fez várias apresentações com o grupo OS HABITANTES DA TERRA, com quem tem algumas músicas gravadas no cd MAURI DE NORONHA E OS HABITANTES DA TERRA.

Em 93, a convite do dramaturgo Plínio Marcos, participou recitando poesias no programa FANZINE da TV Cultura de São Paulo em homenagem ao artista de rua. Em 97 entrou para o teatro e estreou na peça OS CINCO FUGITIVOS DO JUIZO FINAL, do Dias Gomes com a direção da Sônia Fonseca. No mesmo ano apresentou também o drama A LENDA DO NARCISO, onde desempenhou o papel do Oráculo. A direção foi do ator e diretos Rafael Guedes.

Em 1999 participou do espetáculo CAIU DO CÉU no teatro Mazzaropi que teve a direção artística do Francês Pierrot Bidon. Apresentou no Memorial da América Latina e fez várias oficinas, Workshops e cursos de teatro.

Em 2000 estudou dramaturgia com o Carlos Alberto Sofredini. Nesse curso escreveu a peça, ANCHIETA NA TERRA DOS PAPAGAIOS, em parceria com o jornalista Gaspar Bissolotti Neto. Durante o curso foram elaborados outros quatro textos. Com a junção de cenas desses textos foi criado uma peça chamada ZÉ DO BRASIL, onde participou como um dos autores e também ator.

Foi integrante do Grupo Trupe Mazzaropi que participava do projeto Ademar Guerra da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo. Contava com a direção do Luiz Baccelli. Com esse grupo apresentou a peça TEATRO A VAPOR, de Arthur Azevedo. Ensaiou O CORTIÇO , adaptado do livro com o mesmo nome, de Aloízio de Azevedo.

Está elaborando também uma coletânea de crônicas em CD, O MENESTREL DESVAIRADO e o livro: O PLANTADOR DE MANHÃS. Nesse CD vai constar 60 minutos de textos e músicas com arranjo do maestro e violinista Zé Gomes.

Em 2001 fez curso Básico de Dramaturgia com Chico de Assis. Participou do espetáculo IMPRESSÕES a convite da Central do Circo. Também participou de O SHOW NÃO PODE ESPERAR e da CIA. OS APOCALÉPTICOS CLOWN com a direção da Cida Almeida. Participou de vários concursos de poesias e festivais de músicas.Em 2002 passou estudando dramaturgia com o Chico de Assis. Atualmente está apresentando ao lado do cantor e compositor MAURI DE NORONHA no Show ÍNDIO BRANCO DE ALMA NEGRA. Está realizando oficinas de teatro e elaborando seus textos. Em 2003 passou fazendo apresentações em escolas públicas, recitando e falando sobre a elaboração da poesia. Serviço prestado voluntariamente. Em 2004 participou em diversos saraus nos teatros dos Céus a convite da Secretaria da Cultura do Município. Apresentou-se na FUNARTE, no Show, ÍNDIO BRANCO DE ALMA NEGRA. Apresentou-se também no Anhembi, na sala Elis Regina, a convite do Simpeem, no congresso dos professores, ainda com o Mauri de Noronha.

Em 2005, 20 de agosto, se apresentou no Centro Cultural São Paulo, no lançamento do cd com o mesmo nome do Show. 2006 apresentou o projeto musical TOCANDO O BARCO DA MPB com o Mauri. Esse evento acontecia no bar Cultural, LUA NOVA, O Recanto dos Cantadores, de fevereiro até julho. Rua Cons. Carrão, 451 – Bela Vista – São Paulo - SP. Agora está desenvolvendo um trabalho teatral com a Renata Soffredini, levando um pouco da cultura Caipira para as escolas através das peças do dramaturgo Carlos Alberto Soffredini. No Site da UFMG existem vários textos desse poeta, que poderá ser visto através do www.letras.ufmg.br/literafro

Com a parceria do Marcos de Noronha escreveu um roteiro para um curta metragem, intitulado de VALEI-ME SANTO!

 

Atualmente produz periodicamente o jornal literário, O ATE_FATO, que objetiva divulgar autores desconhecidos.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Rosas e Vidas, poesias. Ed. do Autor. São Paulo, 1982

Caminho, poesias. Ed. Do Autor. São Paulo, 1984

Sagrada Primavera. Ed. Do Autor São Paulo, 1985

Estradar, poesias. Ed. Do Autor São Paulo 1987

Canto a Uma manhã Sem Dor, poesias e crônicas. São Paulo, 1994

O Menestrel Desvairado, poesias. Inédito

O Plantador de Manhãs, poesias e crônicas. Está sendo elaborado

Anchiêta Na Terra dos Papagaios, Teatro. Inédito. Parceria c/ Gaspar Bissolotti Neto

Valei-me Santo! Filme, Curta Metragem. Parceria C/ Marcos de Noronha

 

                  REFERÊNCIAS:          

Rua João Caetano, 464

Mooca-São Paulo-SP

CEP: 03162-050

Fone: 6693- 1381

E-mail: santiagodias13@yahoo.com.br

 

                                   Joaquim Dias Santiago Filho (Santiago Dias)

                                   RG 13.963.889-1

                                   CPF: 317193176/15


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